Como argumentar que o Senhor tem forma?

  
     Aqueles que tentam perceber a verdade absoluta através do cultivo de conhecimento (jnana) não podem realizar nada além de Brahman. Através de tal esforço espiritual tentam atravessar a existência material por negação das qualidades do mundo material (um processo conhecido como neti-neti); assim eles imaginam Brahman  ser inconcebível, não-manifesto, informe e imutável. Mas apenas imaginar a ausência de qualidades materiais não concede uma realização de fato  da verdade absoluta.
        Tais espiritualistas pensam que porque os nomes, formas, qualidades e atividades no mundo material são todos temporários e dolorosos, Brahman - o que existe além da contaminação da matéria - não pode possuir eternos nomes, forma, qualidades, passatempos e assim por diante.
    Eles argumentam, com base em evidências dos srutis, que enfatizam a ausência  material de atributos no Supremo, que a verdade absoluta está além do alcance da mente e das palavras, e que não tem ouvidos, membros ou outras partes do corpo.
    Esses argumentos têm algum lugar, mas eles podem ser resolvidos ao analisar a declaração de Advaita Acharya encontrado no Sri Caitanya-chandrodaya-Nataka (6.67) escrito por Kavi Karnapura.
    Em qualquer declaração  dos srutis onde o aspecto impessoal da verdade absoluta é indicado, nos mesmas declarações o aspecto pessoal é também mencionado.
    Com cuidado análise de todas as declarações dos srutis como um todo, podemos ver que o aspecto pessoal é mais enfatizado. Por exemplo, um sruti diz que a verdade absoluta não tem mãos, nem pernas e nem olhos, mas entendemos que Ele faz tudo, viaja por toda parte e vê tudo.
    O entendimento puro desta declaração é que Ele não tem mãos materiais, pernas, olhos e assim por diante como as almas condicionadas têm. Sua forma é transcendental, o que significa que está além dos vinte e quatro elementos da natureza material e é puramente espiritual.
Fonte : Bhakti-tattva-viveka - DELIBERATION UPON THE TRUE NATURE OF DEVOTION, composed by Srila Bhaktivinoda Thakura.