Após a volta de Srila Raghunatha dasa Gosvami
para casa, ele passou a ajudar nos deveres relacionados às propriedades da
terra do seu pai, e simultaneamente cantando e lembrando, sua estabilidade de
mente e fé firme aumentaram, e assim ele desenvolveu sua bhakti. Certa vez, ao
saber que Nityananda Prabhu tinha vindo a Panihati, muito próximo de sua casa
em Saptagrama, imediatamente contou ao seu pai: “Pai, encontrarei Sri Nityananda
Prabhu”. Desta forma, quando Nityananda Prabhu chegou em Panihati com todos os Seus
associados, Raghunatha Dasa foi até lá com a permissão de seu pai.
O pai de Raghunatha dasa lhe deu algum
dinheiro e disse: “Você deve alimentar os sadhus. Faça um mahotsava (festival),
sirva prasada aos sadhus e volte logo para casa”. Raghunatha respondeu: “Oh
pai, eu voltarei”.
Quando ele chegou, percebeu
que milhares de Vaisnavas estavam sentados com Nityananda Prabhu às margens do
rio Ganges sob a sombra de uma Figueira de Bengala.
Nesse momento, alguém disse a Nityananda
Prabhu que Raghunatha havia chegado e Nityananda respondeu: “Traga-o aqui”!
Então, ele disse a Raghunatha dasa: “Oh Chora,
venha, venha!” [Chora significa ladrão]. Raghunatha dasa Gosvami era tímido,
mas de alguma forma o devoto o trouxe para perto, e Nityananda Prabhu
disse-lhe: “Eu punirei você!” Dizendo isso, Nityananda Prabhu colocou os pés de
lótus na cabeça de Raghunatha dasa Gosvami.
O Senhor Brahma e o Senhor Sankara nunca
conseguem obter essa misericórdia. Raghunatha dasa Gosvami é um devoto tão
elevado, que Nityananda Prabhu colocou pessoalmente seus pés de lótus em sua
cabeça.
Nityananda prabhu então disse:
“Você deve realizar um festival de arroz, Cida-Mahotsava. Traga vários potes de
iogurte, leite, sandesh, bananas, açúcar e muitos outros ingredientes”. O arroz
em lascas foi então cozido em leite quente puro e um doce de iogurte delicioso
foi oferecido também. Alguns servos da casa do seu pai estavam com ele, e foram
de aldeia em aldeia coletar bastante desses itens, pois havia milhares de
devotos.
Quando os moradores das aldeias nas quais os
ingredientes foram coletados ouviram que haveria um festival e que muitas
pessoas participariam, eles também vieram. Logo não havia lugar para que todos
se sentassem, então alguns ficaram de pé na água do Ganges e em outros locais.
Um prato foi então oferecido a Nityananda Prabhu, e ele disse ao servo para trazer mais um prato. Em seguida, um segundo prato foi trazido, contendo as mesmas preparações. Ele meditou e orou, e então cantou. Algumas pessoas afortunadas tiveram a visão clara de Mahaprabhu sentado naquele local. Eles viram Nityananda Prabhu e Mahaprabhu chorando e honrando maha-prasada. Raghunatha dasa viu isso e pensou: “Oh, Mahaprabhu está aqui”. Ambos os senhores honraram prasada juntos neste lugar, e essa prasada foi distribuída a todos. Após a prasada, Mahaprabhu desapareceu.
Depois de alguns dias, os pais de Raghunatha dasa
Gosvami o viram e perceberam: “Oh, esse menino está apaixonado por Mahaprabhu!”
Eles então o casaram com uma moça belíssima, mas ele não tinha nenhuma atração por ela e intencionava deixá-la muito rapidamente.
Certo dia, por volta das
quatro horas da manhã, Srila Yadunandana Acarya [seu mestre e discípulo de Advaita Acarya] chegou à sua casa e lhe disse:
“Meu pujari, o adorador das minhas deidades, não veio. Venha comigo para
procurá-lo”. Raghunatha dasa Gosvami respondeu: “Eu mesmo o trarei de volta.
Você pode voltar para casa”.
O pai de Raghunatha dasa, sua mãe e todos os
outros estavam pensando: “Ele está com Yadunandana Acarya, então ele não
partirá”. E por pensarem assim, não haviam guardas com ele.
Raghunatha dasa foi até a casa desse pujari e o enviou para Srila Yadunandana
Acarya, e após, ele imediatamente partiu para Puri.
Por Sri Srimad
Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja, na Holanda, no dia 11 de junho de
2003.
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