Sri Jayadeva Gosvami: o autor do Gita-govinda .


  JAYADEVA GOSWAMI é o autor do Gita-govinda**, um poema sobre os passatempos de Sri Sri Radha Krishna. Ele apareceu 300 anos antes do advento do Senhor Caitanya. O Senhor Caitanya apreciava ouvir o Gita-govinda cantado pelos Seus associados íntimos. Até hoje o poema é recitado diariamente no templo do Senhor Jagannatha em Jagannatha Puri, Orissa. Ele também é o autor do famoso Dashavatara Stotra.

Relato de Srila Gurudeva Bhaktivedanta Narayana Gosvami Maharaja (Los Angeles, 12 de maio de 2003):

  Sri Jayadeva Gosvami era um maha-bhagavata muito elevado, e  escreveu o “Gita Govinda”, que significa “As Glórias de Govinda”. Quando Sri Caitanya Mahaprabhu viu esse livro, ele fez uma cópia e instruiu seus seguidores a ter um também. Naquele tempo não havia nenhuma gráfica – livros eram reproduzidos à mão – assim, Mahaprabhu ordenou que seus seguidores o anotassem, e então, pregassem. Em Jagannatha Puri, todos os Vaisnavas e associados de Sri Caitanya Mahaprabhu escreveram o livro e fizeram um colar para si com as belíssimas canções contidas nele. O Sri Gita Govinda é a joia entre os livros encontrado por Sri Caitanya Mahaprabhu. 

Jayadeva com seus pais.

Sri Gita Govinda, capítulo 2,verse 3

 “O cabelo de Krsna, decorado com lindas penas de pavão curvadas como a lua minguante, era semelhante a uma nuvem que irradia muitos arco-íris!”

  Esta canção é muito elevada. Às vezes, Srimati Radhika – com ou sem razão, ou com uma sombra de razão, ou tendo criado algum motivo em Sua mente – torna-se manavati. Manavati significa zangada (com raiva de ciúme amorosa transcendental). Certa vez, quando Krsna havia se aproximado Dela enquanto estava neste humor, Ela disse a Ele: “Oh pessoa negra, vá embora daqui!” E Ela virou o rosto para o outro lado. Ele continuamente implorava para Ela lhe perdoar; mas naquele dia Sua maan [zanga] estava muito forte e, por fim, Ele deixou aquele lugar.

 Depois que Krsna partiu, Lalita-devi viu que Srimati Radhika se lamentava e chorava por Ele, e cantarolava: “Por que eu fiz isso, o que eu fiz? Agora estou lembrando de como Ele vinha a mim, quão doce Ele era, e como Ele colocava Sua flauta nos Meus pés de lótus. Oh, por que eu permaneci em maan? Que vergonha! Por que eu fiz isso?“ Ela continuamente se arrependia, pensando: “Como Ele fala de forma tão amorosa… Ele pode capturar qualquer coração muito facilmente!”

  Lalita disse: “Por que você não é capaz de esquecê-Lo?”

 Srimati Radhika respondeu: “Como posso esquecê-Lo? Este é o ponto - Eu quero esquecê-Lo, mas eu não posso”.

 Lalita disse: “Então, o que mais eu posso fazer? Eu não posso ajudá-la! Eu disse para você desistir desse negro; mas você não me obedece, então o que posso fazer ?!”

  Lembre-se sempre que qualquer tipo karma, jnana, yoga, tapasya, e assuntos mundanos não devem cobrir sua bhakti. Não dê importância a nenhuma outra coisa senão bhakti (devoção amorosa a Deus). Lembre-se sempre que, bhakti pura é nossa meta e objeto. Esta era também a meta de Srila Rupa Gosvami, de todo os Vaisnavas Sri Rupanugas, de Parama-pujyapada Srila Bhaktivedanta Swami Maharaja e a minha. Eu vim apenas para distribuir estas sagradas verdades.


**Gīta-govinda significa literalmente 'canção sobre Govinda ou Kṛṣṇa'.

 Uma das obras poéticas mais populares em sânscrito é o Gitagovinda de Jayadeva (século XII d.C.). Narra a relação de amor, separação e desejo entre  Krishna e sua amada gopi, Radha. É composta por 12 sargas, ou seções. Cada seção contém 24 estrofes musicadas. O próprio poeta fixou os rāgas (melodias) e tālas (ritmos) para que pudessem ser cantados por músicos e também adaptados por dançarinos. 

As peculiaridades desta obra são:

 O tema principal é o amor de Rādhā por Kṛṣṇa e a sua reação a ele.
 A obra é considerada uma obra-prima da poesia sânscrita e um modelo para muitos escritores posteriores.
 A perfeição da forma métrica e uma maravilhosa demonstração de sentimentos e emoções humanas fazem desta obra um exemplo extraordinário da literatura sânscrita.
 Isso também demonstra a que alturas a língua sânscrita pode chegar em termos de beleza, elegância e até mesmo sublimidade.