A existência de dois samādhis (túmulos memoriais)
para Śrīla Narottama Dāsa Ṭhākura — um no Templo de Rādhā Gokulānanda (em Vrindavan)
e outro em Kheturi (Bangladesh) — deve-se a um passamento milagroso e à prática
tradicional gaudīya vaishnava de estabelecer um túmulo principal e um memorial
(puṣpa-samādhi).
O Doodh Samadhi (Túmulo
de Leite) em Kheturi.
Este local guarda os vestígios do passamento físico e milagroso de Narottama Dāsa Ṭhākura. Perto do fim de sua vida terrena, às margens do Rio Ganges (na região de Kheturi/Gambhilaya), Narottama entrou na água e ordenou que seus discípulos derramassem água do rio sobre seu corpo enquanto cantavam fervorosamente um kīrtana.
À medida
que os discípulos vertiam a água e cantavam, o corpo de Narottama começou a se
dissolver e se fundir com o Ganges, transformando-se completamente em um
líquido branco e denso, semelhante ao leite, misturado com suas lágrimas de
amor extático (prema).
Em choque e em lágrimas, os discípulos
recolheram esse leite sagrado em grandes potes, levaram-no para a região de
Kheturi e o enterraram. Esse local ficou conhecido mundialmente como o Doodh
Samadhi (Túmulo de Leite).
O Puṣpa Samādhi no
Templo de Rādhā Gokulānanda (Vrindavan)
Este é um Puṣpa Samādhi (um memorial de flores ou relíquias), localizado na cidade sagrada onde Narottama viveu, estudou e serviu por muito tempo. Na tradição vaishnava, quando um grande santo deixa o mundo em um lugar distante, costuma-se criar um memorial em Vrindavan para honrar sua conexão eterna com a terra santa de Krishna e permitir que os peregrinos prestem reverências.
O túmulo no pátio do Templo de Rādhā Gokulānanda não contém restos corpóreos, mas sim objetos pessoais sagrados pertencentes a Narottama Dāsa Ṭhākura, incluindo sua guirlanda de flores (puṣpa), suas roupas, sua kaupīna (cordão/pano de renúncia) e suas contas de cantar japa (mālā). Ele foi estrategicamente posicionado no pátio do templo ao lado do samādhi de seu amado mestre espiritual, Śrī Lokanātha Gosvāmī, simbolizando o serviço eterno do discípulo aos pés do seu guru.
Em
resumo, o de Kheturi é o local de sua partida física mística (onde seu corpo
virou leite), e o de Vrindavan é o memorial sagrado de suas relíquias e artigos
pessoais.
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