A história de Damodara (I)– Krsna sendo amarrado pelo amor puro de Sua mãe.

 


 Certa vez, vendo que sua criada estava ocupada em diferentes trabalhos domésticos, mãe Yashoda encarregou-se pessoalmente de fazer manteiga. E, enquanto batia a manteiga, ela cantava os passatempos infantis de Krishna e sentia prazer pensando em seu filho.

 A ponta de seu sári estava bem amarrada enquanto ela batia a nata e, nesse trabalho árduo, leite pingava automaticamente de seus seios por causa do amor intenso por seu filho. Ele estava com fome e, para aumentar o amor que Sua mãe sentia por Ele, queria que ela parasse de bater. Krishna indicou que o primeiro dever dela era deixá-lO mamar, para só então bater a manteiga.

 Mãe Yashoda pegou o filho no colo e pôs-Lhe na boca o bico de seu seio. E enquanto Krishna mamava, ela sorria, apreciando a beleza do rosto dEle. De repente, o leite que estava fervendo no fogão começou a transbordar. Para impedir que o leite derramasse, mãe Yashoda logo pôs Krishna de lado e foi para o fogão. Deixado daquele jeito por Sua mãe, Krishna ficou muito zangado. Pegando uma pedra, quebrou o pote de manteiga. Com lágrimas falsas nos olhos, Krishna começou a comer manteiga num lugar escondido.


 Neste ínterim, mãe Yashoda voltou para o lugar onde estava batendo a manteiga, depois de ajeitar a panela com o leite que havia derramado. Ela viu que o pote onde se guardava o iogurte batido estava quebrado. Como não podia encontrar o menino, concluiu que o pote quebrado era obra dEle. Começou a sorrir enquanto pensava: “Esse menino é muito esperto. Depois de quebrar o pote, Ele saiu daqui com medo do castigo”. Depois de procurar por toda parte, ela encontrou seu filho sentado em um grande pilão de madeira que estava de cabeça para baixo. Krishna, tirando a manteiga de um pote pendurado no teto, estava dando a manteiga aos macacos.


 Mãe Yashoda viu que Krishna olhava de um lado para o outro com medo dela, porque sabia que estava agindo errado. Ao ver seu filho tão absorto, ela silenciosamente se aproximou dEle por trás. Krishna, porém, vendo que ela vinha em Sua direção com uma vara na mão, desceu imediatamente do pilão e começou a fugir amedrontado. Mãe Yashoda perseguiu-O por todos os cantos tentando capturá-Lo. Ela, porém, não podia pegar facilmente o menino que corria, por causa de sua cintura fina e o corpo pesado. Mesmo assim, ela tentava persegui-lO tão rápido quanto possível.


 Seu cabelo soltou-se e as flores que o enfeitavam caíram pelo chão. Embora estivesse cansada, de algum modo ela alcançou e capturou seu menino travesso. Quando foi pego, Krishna estava a ponto de chorar e sujou as mãos esfregando nos olhos que estavam ungidos com cosmético negro. O menino viu o rosto de Sua mãe enquanto ela se inclinava, e Seus olhos ficaram inquietos por causa do medo.

 Mãe Yashoda pôde entender que seu filho estava com medo sem necessidade e, para Seu benefício, ela quis acalmá-lO.  Então, ela jogou fora a vara. Para castigá-lO, ela pensou em amarrar as mãos dEle com algumas cordas. Mãe Yashoda esforçava-se para atá-lO a um pilão de madeira. Mas ao tentar amarrá-lO, ela descobriu que a corda era curta demais — faltavam duas polegadas. Ela juntou mais algumas cordas da casa e amarrou-as juntas, mas, no final, ela viu que ainda faltava corda. Desta forma, ela amarrou todas as cordas que havia em casa, mas, quando deu o último nó, ela viu que ainda faltavam duas polegadas. Mãe Yashoda sorria, mas estava espantada. Como aquilo era possível?


 Tentando amarrar seu filho, ela se cansou. Estava suando e a guirlanda tinha caído de sua cabeça. Então, o Senhor Krishna apreciou o árduo trabalho de Sua mãe e, tendo compaixão dela, concordou em ser amarrado pelas cordas. Krishna, fazendo o papel de uma criança na casa de mãe Yashoda, estava, na verdade, representando Seus passatempos seletos. É claro que ninguém pode controlar a Suprema Personalidade de Deus. O Senhor Krishna sente prazer transcendental em Se submeter à proteção do devoto. Isto foi exemplificado pela rendição de Krishna à Sua mãe Yashoda.



 Depois de amarrar seu filho, mãe Yashoda ocupou-se com os deveres domésticos.

Contada por Srila Bhaktivedanta Swami Prabhupada em seu O Livro de Krsna, cap 9.