Srila Sridhar Maharaj explicando o que é humildade.



   Certa vez, quando um templo foi atacado, os devotos usaram um revolver para defender o templo. O povo local reclamou dizendo: “Oh, eles são humildes? Eles são tolerantes? Por que foram contra o conselho de Sri Mahaprabhu de ser mais humilde que a folha de grama e mais tolerantes que uma árvore? Eles não são devotos.”

   Eu defendi os devotos dizendo: “Não, eles agiram corretamente. A instrução de ser mais humildade que a folha de grama significa que se deve ser humilde diante de um devoto e não de um louco”.

  As pessoas em geral são loucas e ignorantes. Eles desconhecem o que é bom ou ruim, assim sua consideração não tem valor algum. Quem é qualificado para julgar se um devoto está oferecendo respeito a todos, sem esperar respeito para si mesmo? Os loucos? Pessoas ignorantes? Têm eles algum juízo para julgar quem é humilde, quem é tolerante? Tem de haver um padrão por meio do qual possamos julgar a humildade. Estamos interessados no critério que foi dado por pensadores superiores, e não na consideração das massas ignorantes.

  Espetáculo de humildade não é humildade verdadeira. Ela deve provir do coração e ter um objetivo. Tudo - humildade, tolerância e ausência de orgulho - deve ser considerado a partir do julgamento de uma pessoa normal, padrão, e não de ignorantes que são como elefantes e chacais. Deve-se permitir que tais pessoas julguem o que é humildade? É claro que não. Por acaso um devoto deveria pensar que: “A deidade e o templo não estão para ser molestados, mas eu ficarei quieto sem fazer nada; serei humilde e tolerante; um cachorro está entrando no templo; devo mostrar respeito a ele?” Não. Isso não é verdadeira humildade.

  Não devemos permitir que tais anomalias continuem em nome de oferecer respeito aos outros. Não devemos pensar que podemos permitir que alguém moleste os devotos ou o templo, e que ao fazer isso somos humildes e tolerantes e estamos mostrando respeito aos outros.

  Que eu sou humilde significa que eu sou escravo do escravo de um vaisnava. Com essa consciência devemos prosseguir.

Extraído do  O Vulcão Dourado do Amor Divino de Srila B.R. Sridhar Dev-Goswami.

Quando estaremos aptos a ouvir os passatempos de Srimati Radhika?


   Ser capaz de observar a elevada posição de Srimati Radharani e Suas associadas confidenciais não está dentro do domínio das pessoas comuns. Especialmente e somente aqueles que se envolvem constantemente no confidencial, íntimo e eterno serviço amoroso a Ela podem compreender esta verdade sagrada. Ninguém pode penetrar nos mistérios e nas implicações esotéricas de tais passatempos exceto os associados confidenciais Dela.

   Quando a nossa ligação com este mundo material não se limitar às necessidades básicas e, além disso, quando nossas opiniões triviais, as austeridades inventadas, obras piedosas, o chamado conhecimento e poder místico forem considerados sem valor como uma palha; quando a nossa adoração a Narayana em Seu humor de majestade não for, em absoluto, nada agradável; quando houver um tempo em que não estivermos inclinados a falar em assuntos que não sejam os tópicos confidenciais de passatempos divinos como a dança rasa, só então seremos candidatos aptos a receber essas informações confidenciais.

   O serviço aos senhores Sri Sri Radha Govinda não é possível ser expresso em linguagem comum. O uso das palavras svakiya (relação conjugal), parakiya (relação extraconjugal) geralmente se misturam com nossos próprios desejos intensos de gratificação dos sentidos. É por esta razão, devido à falta de pessoas qualificadas, que os passatempos divinos de Sri Radha Krishna não podem ser discutidos, ouvidos e entendidos pelas pessoas comuns deste mundo, e dizer que há muito poucas pessoas qualificadas para isso não é um exagero.
Palavras de Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Goswami Prabhupada

Como conviver com a riqueza?


Ó mente! O orgulho produzido pela riqueza é extremamente perturbador. Riqueza, companheiros e propriedades seguem este corpo, e quando o corpo morre tudo se torna insignificante.

Nenhum médico ou seus remédios podem salvar o corpo. Quando o ar da vida expira, somente o corpo permanece. A alma não permanece dentro da carcaça.

Se a riqueza desse vida, então um rei nunca morreria. Rāvaṇa teria se tornado um imortal na terra. A riqueza não salva o corpo, e quando o corpo morre ninguém permanece. Então, o que a riqueza faz por nós?

Se você tiver grande riqueza, considere-se sem posses e sirva os devotos. Sempre seja gentil com todos, glorifique Rādhā e Kṛṣṇa, e siga as práticas dos sādhus.

(Do Śrī Kalyāṇa-kalpa-taru de Śrīla Bhakti Vinod hākur)

“Sua riqueza é um meio de desfrute, então sirva Kṛṣṇa com isso”. Srila Bhakti Vinod Thakur

Como a devoção pode ser destruída?


Comentário de Śrīla Bhakti Vinod hākur do segundo verso do Śrī Upadeśāmṛta:

“Devoção é destruída por esses seis defeitos: (1) excesso de acúmulo; (2) esforço materialista; (3) conversa desnecessária; (4) rejeitar as regras feitas para si e seguir as regras feitas para os outros; (5) associar-se com não-devotos; e (6) mente volúvel”.

   Para renunciantes, qualquer acúmulo é chamado de atyāhār (significa consumo excessivo, colecionar ou esforço para acumular),  e para os devotos chefes de família, o excesso de acúmulo é ruim (acumular mais do que é necessário para viver).

   Qualquer esforço que não for favorável à devoção é chamado de prayās (se engajar em atividades que são contrárias à devoção); tais ocorrências são condenáveis.

   Conversa de vilarejo é chamada de prajalpa (perda de tempo). Mente volúvel produzida pelo desejo material é chamada de laulya (significa ter a mente volúvel na associação de pessoas de diversas concepções e ser atraído por assuntos insignificantes. Crítica aos sādhus, que decorrem de prajalpa, e considerar os deuses como independentes [do Senhor Supremo], que decorrem de laulya, são ofensas ao Nome).

   Materialistas, aqueles que são apegados ao sexo oposto, seus companheiros, ilusionistas, religiosos hipócritas, e ateístas—a associação de tais pessoas é destrutiva à devoção. Com grande cuidado, evite tais associações.

  O erro tanto de ser negligente às regras quanto de ser excessivamente preocupado com as regras são fardos para os devotos. Em um há uma rejeição da regra feita para seu estágio, e na outra há aderência às regras feitas para um estágio diferente do seu próprio.

A importância de ter um darshan de Sri Radha Syamsundar


1. Quem tiver darshan desta divindade, mesmo uma única vez com plena fé, irá para a morada divina do Senhor Krishna ganhando o amor de Deus. Infortúnios, misérias e crimes hediondos não entrarão em sua casa.

2. Passado e futuro de dez gerações da pessoa que terá darshan desta Deidade diariamente, irá para Goloka Vrindavana. Neste mundo essa pessoa desfrutará a vida com a felicidade desejada e as opulências com seus filhos, netos e parentes como a dos semideuses.

3. Quem quer que se dedique a limpeza do templo de Shyamsundar irá para a morada do Senhor Krishna depois de desfrutar do prazer da vida celestial e residirá ali como um cortesão de Krishna. As famílias maternas e paternas daquela pessoa, como a família paterna de sua esposa, que esfregar o templo com esterco de vaca, não terá que ir para o inferno por qualquer pecado.

4. O pecado de uma pessoa que vai montar a bandeira no topo do templo de Sri Shyamsundar e decorar o templo com bandeiras deixará de existir.

5. Todos os desejos do grande homem que adora esta Deidade, serão cumpridos. Ele alcançará o poder de libertação de todo o universo.

6. Uma pessoa afortunada que presentear roupas novas para a Deidade irá para a morada de Sri Krishna depois de viver na lua. Essa pessoa se tornará rica, afortunada, livre de doenças, amada e irá para a morada do Senhor Krishna depois de ganhar os frutos de ter realizado sacrifícios Ashvamedha e Rajasuya.

7. Uma pessoa que oferecerá preciosos ornamentos repletos de gemas à Deidade encontrará um lugar para si na terra de Krishna depois de se tornar o mais afortunado governante de Chakravarti, livre de pecado, amado de senhoras, etc.,

8. Uma pessoa afortunada que oferecerá ornamentos, copa e leito feito de flores para a Deidade irá para a residência autoefervescente de Krishna, depois de desfrutar as opulências deste mundo.

9. Todos os desejos daquele afortunado que oferecer melhores pratos e sucos a Divindade serão cumpridos. Ele se tornará rico, poderoso, bonito, livre de preocupações e doenças, e depois de ganhar o fruto de ter realizado sacrifícios Agnishtom, Atiratra, Ashvamedha e Rajasuya, ele deve atingir a libertação.

10. Uma pessoa que circundará o Templo da Deidade quatro vezes obterá os frutos de ter executado dez Ashvamedha Yajnas, tendo visto todos os lugares santos, tendo circumambulado eles e se banhado lá. Ele certamente será promovido a Goloka e todos os seus desejos serão cumpridos.

11. Uma pessoa que terá darshan de Shyamsundar durante Sua cerimônia de arati receberá recompensa completa pelo mesmo. Apesar dos obstáculos, ele será transferido para a divina casa de Krishna. Todos os seus pecados, incluindo o assassinato de brâmanes, etc. serão lavados totalmente.

12. A linhagem futura e passada daquela pessoa que construirá, renovará e purificará o templo de Sri Shyamsundar certamente voltará à Divindade e todos os seus pecados serão totalmente apagados.


Como Sri Sri Radha-Shyamsundar se Manifestou - Um Passatempo Extático


   
  Sri Krishna Dasa era um devoto em "sakhya rasa" (servindo ao Senhor como um amigo). Depois de conhecer Jiva Gosvami, ele desenvolveu um gosto pelo Kunja-seva de Sri Sri Radha Shyamsundar e insistiu especialmente em aprender 'sadhan-bhajan'. Srila Jiva Gosvami, considerando-o um digno aspirante, começou a treiná-lo no fluxo de madhurya rasa (servindo ao Senhor como amante conjugal). Desta forma Krishna Dasa obteve o serviço devocional sob a orientação de Srila Jiva Gosvami, que também lhe concedeu a rara oportunidade de limpar os bosques sagrados de Seva-kunj. A partir de então, Krishna Dasa começou a passar a maior parte de seu tempo no serviço e culto a Radha e Krishna e cantando os Santos Nomes em sua caverna subterrânea (bhajan-kutir), além de limpeza dos bosques. Ele costumava levantar cedo de manhã e com uma vassoura limpava os bosques. Desta forma ele prestou serviço por 12 anos e progrediu em serviço devocional ao Senhor Krishna.
   Um dia, enquanto estava sentado em seu bhajan-kutir, ele estava profundamente imerso em lembrar os passatempos doces e nectáreos de Radha e Krishna. Sentiu que Shyamsundar estava dançando e cantando com as belas donzelas de Vraja no bosque. Srimati Radharani e as gopis formaram um círculo ao redor de Shyamsundar segurando as mãos uma das outras e ela parecia como a lua cercada pelas estrelas. Algumas gopis estavam dançando e outras cantavam canções melodiosas. Ao mesmo tempo Srimati Radharani começou a dançar atrativamente para dar mais alegria e prazer a Sri Shyamsundar e também o submergiu neste oceano de êxtase. Durante a dança, uma tornozeleira dourada chamada Manjughosha que estava cheia de pedras preciosas, escorregou do pé esquerdo de Srimati Radharani e caiu despercebida na arena da dança. Quando a dança terminou, o casal divino foi dormir em uma cama bem decorada no bosque. Ao olhar para o casal unido, todas as gopis  tornaram suas mentes serenas. Pela manhã o casal sentiu vergonha quando foram despertados por todas as gopis e todos procederam em direção a suas respectivas casas.
  Krishna Dasa acordou e como de costume, saiu para limpar os bosques. Ao chegar ao
lugar do passatempo, ele notou sinais de alegria em comparação com dias anteriores. As trepadeiras estavam espalhadas aqui e ali. Todas as árvores e trepadeiras estavam cheias de fragrância emitida pelas flores. No interior do bosque, podiam-se ver as pegadas de Radha e Krishna e as gopis. Em êxtase e amor a Deus Krishna Dasa começou a rolar no chão sagrado. De alguma forma ele se controlou e começou a limpar o bosque. De repente, viu um objeto reluzente sob uma árvore de romã iluminando todo o canto do bosque. Ele correu para aquele lugar. Então ficou maravilhado com a descoberta de uma tornozeleira transcendental repleta de pedras preciosas chamadas Indraneel mani.
   Imediatamente houve uma profecia do céu para guardar a tornozeleira. Ele ergueu a tornozeleira e tocou-a na testa. Uma onda de alta devoção passou por sua cabeça. Lágrimas começaram a rolar pelas bochechas e os sintomas de êxtase apareceram em seu corpo e ele começou a dançar pronunciando o nome de Srimati Radharani. Com grande esforço, ele escondeu o tornozeleira debaixo de sua roupa e continuou seu trabalho de limpeza e embelezamento da arena dançante e do bosque de Seva-kunj.

  Durante este tempo Srimati Radharani veio a esse lugar disfarçada com Suas companheiras em busca da tornozeleira. Ela se escondeu atrás de uma trepadeira e pediu a Lalita sakhi para procurar a tornozeleira. Sri Lalita sakhi, no disfarce de uma pobre senhora bramani, aproximou-se de Krishna Dasa e disse-lhe que na noite anterior a nora recém-casada viera para colher flores, mas tendo visto um leão (Krishna) em pé ao lado dela, ela deixou o lugar com medo. Naquele momento, a tornozeleira do pé esquerdo caiu no chão sem ser notada em Nidhivan. Ela perguntou se ele a tinha encontrado. Ouvindo estas palavras de Sri Lalita sakhi, Krishna Dasa sentiu-se satisfeito, mas fez umas perguntas como, "Quem era ela? E onde ela morava?” "Por favor, dê a descrição dela para minha completa satisfação", ele pediu.

  Lalita sakhi disse: "Ela é uma senhora bramani Kanya-kubja e pertence a uma aldeia perto de Yavat em Mathura e Seu nome é Radha Dasi." Ela disse ainda, "Já que você limpa os bosques todos os dias, eu vim para perguntar sobre a tornozeleira”.

  Krishna Dasa com grande humildade respondeu: "Seu palpite é verdadeiro. Eu encontrei uma maravilhosa tornozeleira cravejada com Indraneel mani. Assim que toquei na tornozeleira, senti felicidade e estava cheio de amor por Srimati Radharani”.

 Em dúvida, ele acrescentou: "Esta tornozeleira certamente não pertence a uma senhora comum. Há algum mistério por trás disso. Pessoas sábias dizem que coisas maravilhosas são possuídas apenas por pessoas merecedoras e não por pessoas comuns. Desde que sua nora é uma habitante deste mundo material, a tornozeleira transcendental não pode pertencer a ela". A fim de confirmar a situação, ele ainda disse a Lalita sakhi: "Você pertence a este mundo material, por isso minha mente não se sente satisfeita em me separar da tornozeleira. O ornamento transcendental não pode pertence a você".

  Apontando para o seu vestido comum, ele disse: "As vossas vestes ordinárias falam da vossa pobreza. Uma tornozeleira cravejada com Indraneel mani não pode pertencer à nora de uma senhora pobre". Ele pensou por um tempo e concordou com uma condição: “Se sua nora vir perante mim para mostrar a tornozeleira semelhante em seu pé direito, eu devolvo a tornozeleira na presença dos aldeões".

  Srimati Radharani, a filha de Sri Vrishabhanu, que com seus companheiros estava ouvindo a conversa entre Sri Lalita sakhi e Krishna Dasa por trás de uma trepadeira, sentiu que Lalita sakhi não era páreo para Krishna Dasa no que diz respeito à inteligência. Srimati Radharani saiu e disse: "Ó santa pessoa! Você disse que esta tornozeleira transcendental não merece ser dada a qualquer pessoa deste mundo material, mas você não sabe que todos os objetos de Vrindavan são transcendentais? Qualquer pessoa comum deste mundo material tem o direito de entrar em Vrindavan”.

  Inteligentemente Krishna Dasa respondeu: "Suas palavras de que todos os objetos de Sri Vrindavan Dhama são transcendentais são absolutamente verdadeiras, mas esses objetos não são visíveis aos olhos materialmente nus. Esta terra conhecida pelos sastras e sábios parece terrena, embora tenha pedras de toque e esteja cheia apenas de árvores de desejo”.

  Ouvindo a resposta muito inteligente de Krishna Dasa, Lalita sakhi riu suavemente, mas tendo em mente a execução de sua tarefa, ela disse a Krishna Dasa: "Sua observação é perfeitamente correta. A tornozeleira encontrada por você é absolutamente transcendental e sua dona também é extremamente transcendental em Sua beleza, Sua natureza, Seu vestido, Suas características e acima de tudo em Suas virtudes”.

  Krishna Dasa sentiu-se um pouco perplexo e apontando para a velha senhora que usava frases misteriosas, ele disse: "Eu sou incapaz de entendê-la por falta de sabedoria. Além disso, como posso saber o que você quer que eu faça? Por favor, explique-me em palavras simples o que posso fazer por você?". Então Lalita sakhi revelou sua identidade e com confiança disse: “Esta senhora de pé a minha direita é a dona desta tornozeleira transcendental. Ela é Srimati Radharani, a filha do rei Vrishabhanu. Ela é a residente de Yavat e o coração doce do Rei de Gokula”.

  A presença de Srimati Radharani foi suficiente para Krishna Dasa ser surpreendido e seu corpo foi tomado de sintomas de êxtase. Ele ficou atônito e entrou em transe por algum tempo. Mas depois de um tempo ele recuperou seus sentidos e com hesitação disse: "Estou aflito e não consigo entender como a tornozeleira de Srimati Radharani caiu no chão na arena de dança. Eu quero saber o evento completo, pois meu coração está se sentindo desconfortável e inquieto".

  Sri Lalita sakhi disse: "Você é a pessoa certa para saber sobre isso e, portanto, vou revelar toda a história como ela é para você". Sri Lalita sakhi então narrou o seguinte: Quando a noite se aproximou, O Senhor das estrelas, apareceu no céu mostrando seus mais belos traços. Quando a lua cheia subiu a leste, tingiu tudo com uma cor avermelhada. Com o nascer da lua, o céu inteiro apareceu manchado por kumkuma vermelho. As florestas estavam cheias de flores perfumadas. A atmosfera estava refrescante e festiva. Sri Shyamsundar estava imerso em executar rasa lila com as belas damas de Vraja. Durante a dança, uma tornozeleira dourada chamada Manjugosha escorregou do pé esquerdo de Radharani e caiu na arena da dança. Uma papagaio fêmea e um macaco fêmea Samyagya, proferiram que a noite estava a ponto de terminar e o sol estava logo a levantar-se. Eles avisaram que Jatila logo poderia saber do encontro entre Radharani e Shyamsundar. Ouvindo o nome Jatila de suas bocas, Radha e Krishna decidiram retornar as Suas casas. Desde que Srimati Radharani saiu do lugar com pressa, não notou a perda de sua tornozeleira. Ela percebeu que havia perdido a tornozeleira apenas na chegada dela em casa e estava inquieta. A tornozeleira tinha sido um presente de Sua sogra com profundo afeto, na noite anterior. Ela expressou que ou tinha caído em algum lugar no caminho para casa ou no bosque na arena da dança. Ela aconselhou as gopis a consultarem-se e decidirem o que fazer.

   Uma de suas sakhis achou que a tornozeleira poderia ter escorregado e caído em Seu caminho de volta para casa. Outra sakhi expressou a opinião que a tornozeleira poderia ter caído em algum lugar no bosque. Enquanto esta discussão estava acontecendo, Vrinda-devi apareceu e consolou Srimati Radharani dizendo que tinha ouvido do papagaio chamado Vichakshan que uma pessoa muito afortunada tinha encontrado a tornozeleira na arena da dança. Ela aconselhou que eles fossem para a arena para trazer de volta a tornozeleira encontrada por essa pessoa. Ao ouvir essas palavras de Vrinda, todas as sakhis disseram a Radharani que fosse ao bosque para pegar a tornozeleira.

   Recuperando seus sentidos, Krishna Dasa pediu: "Por favor, me dê a oportunidade de servir a Sri Radha Shyamsundar em Goloka Vrindavana". Mas Lalita sakhi negou e disse: "Isso só pode ser possível depois que você deixar o mundo material. Por favor, peça algo mais".

  Ele então pediu para ter o darshan dos pés de lótus de Srimati Radharani. Lalita sakhi ficou preocupada, mas ao ouvir o pedido humilde de Krishna Dasa, Srimati Radharani disse a Lalita sakhi: "Dê-lhe Meu mantra e faça-o tomar banho no Radha Kunda. Ele então tomará a forma de uma 'Manjari' e poderá ter Meu darshan. Por favor, não demore, pois Krishna Dasa é extremamente querido para Mim."

  De acordo com as instruções de Srimati Radharani, Lalita sakhi deu-lhe o siddha-Radha mantra. Assim que Sri Krishna Dasa tomou banho no Radha Kunda depois de cantar o mantra, ele alcançou a forma transcendental de uma 'manjari'. Quem o via naquela forma, ficou perplexo. Seu corpo parecia ouro fundido, sua cintura era como a de um leão e suas sobrancelhas bonitas foram moldadas como um arco para abalar mesmo o Cupido. Usava roupas finas de seda. Colocando a tornozeleira em sua cabeça, ele entrou no templo de Srimati Radharani. Apresentando-o aos pés de lótus de Srimati Radharani, Sri Lalita sakhi pediu: "Por favor, coloque Seus pés de lótus em sua cabeça para considerá-lo Seu próprio seguidor".

 Srimati Radharani disse gravemente: "Em seu nascimento anterior você era Krishna-priya e era minha companheira. Por isso, mostrarei o meu favor especial a ti, colocando-te entre os Meus próprios seguidores”.

  "Toque a Minha tornozeleira em sua testa", falou Srimati Radharani para Lalita sakhi. Assim que ela tocou sua testa com a tornozeleira, sua tilak Harimandir foi convertida em tilak transcendental na forma do pé de Srimati Radharani. Srimati Radharani pegou kumkum, sândalo e cânfora adornando Seus seios, misturando-os com mel e esfregando-os em uma pedra conhecida como chandrakant. Com a ajuda da parte da frente do tornozelo, Ela desenhou uma marca brilhante rodada  na testa de Krishna Dasa.


  Lalita sakhi ao ver a marca redonda disse a Radharani: "Esta nova tilak que adorna a testa de Krishna Dasa será conhecida como "Shyam Mohan Tilak". Esta sakhi (Krishna Dasa) em quem Srimati Radharani derramou Suas bênçãos deleitou-a muito. Em vista disto, ele será conhecido como Shyamananda de agora em diante".

  Vishakha sakhi vendo sua nova forma se dirigiu a ela como "Kanak Manjari".


  Srimati Radharani disse a Kanak Manjari: "Você é muito querida para Mim como Lalita e Vishakha, porque você agradou ao Senhor Krishna e deu prazer aos Meus próprios olhos".

  Sri Lalita e Vishakha sakhi, enquanto apreciavam profundamente essas palavras pronunciadas por Srimati Radharani, elogiaram-Na e disseram: "Kanak Manjari tornou-se gloriosa pela Tua graça. Tendo encontrado a Sua
tornozeleira
sob uma árvore de romã no bosque, Kanak Manjari atingiu um estatuto especial entre Suas companheiras. Saci, Savitri e outras mulheres piedosas sempre desejam sentar-se perto de seus pés, porque Você a reconheceu entre Suas companheiras ilustres".


   Dirigindo-se a Krishna Dasa Srimati Radharani disse: " Agora você volta ao mundo material para completar o trabalho designado e com Minha graça a lembrança deste evento continuará lhe dando prazer ilimitado. "


  Ouvindo estas palavras, Kanak Manjari começou a chorar de angústia e, com lágrimas nos olhos, disse com a voz embargada a Srimati Radharani: "Você foi muito amável para me trazer aqui para servir aos Seus pés de lótus. Por favor, não me envie para o mundo material novamente. Por favor, deixe-me servir apenas os Seus pés de lótus.”

  Ouvindo o pedido  doloroso de Kanak Manjari, Srimati Radharani sentiu-se profundamente aflita e acariciando sua cabeça, Ela expressou: "Você é Minha eterna companheira, mas você foi enviado ao mundo material para um propósito específico. Depois que sua missão de liberar as almas condicionadas for completada, você será chamado de volta para Me servir. Vejo que sua separação de Mim está causando angústia e você está experimentando dores insuportáveis ​​de separação, então estou dando a você uma Deidade que é muito querida para Mim. Ao servi-La com extremo amor e devoção, você poderá esquecer Minha separação e os desejos de todos os seres humanos também serão cumpridos servindo e vendo esta Deidade ".

 
Dizendo isto Srimati Radharani manifestou a Deidade mais bela e única de Sri Shyamsundar de Seu coração de lótus e deu a Kanak Manjari através de Lalita sakhi. Ao entregar a Deidade a Shyamananda Prabhu, Ela disse: "Ó Shyamananda! As entidades vivas afetadas por Kali-yuga são de curta duração e despojadas da devoção ao Senhor. Estou dando esta Deidade como um meio simples de libertação dessas entidades vivas."


    Srimati Radharani instruiu Shyamananda prabhu, "Ó Shyamananda! Amado de Sri Krishna, estou lhe dando esta Deidade para o bem-estar do mundo. Você deve se envolver em Seu serviço e adorá-La até sua permanência no mundo material para o bem-estar e a libertação das almas condicionadas. Depois disso você voltará para nós para nosso serviço eterno ".

  Sri Lalita sakhi aconselhou-o, "O Shyamananda! Não narre este passatempo para ninguém, exceto para Srila Jiva Gosvami. Se você se atrever a torná-lo público, você terá que abraçar a morte e você será privado do serviço a Srimati Radharani".

  Sri Lalita sakhi assegurou-lhe: "Sempre que você estiver em apuros, você terá o meu darshan em cantar o divino Radha Mantra dado a você por mim".



  Srimati Radharani então desapareceu com Lalita e Vishakha sakhis depois de conceder Sua graça sobre ele. Depois disso Sri Krishna Dasa recuperou sua forma passada e saiu do bosque. Seu raspador de ferro tinha sido convertido em um raspador de ouro depois de ter o toque da tornozeleira. Com lágrimas nos olhos e dominado pelo êxtase, Krishna Dasa apresentou-se diante de Srila Jiva Gosvami em sua cabana com o Noopur Tilak em sua testa, Shyamananda escrito em seu peito, o raspador dourado debaixo de sua axila e a Deidade única em sua cabeça. Vendo Krishna Dasa, Jiva Gosvami ficou surpreso. Ele percebeu que Krishna Dasa agora estava tendo um corpo com tonalidade dourada. Sua tilak Harimandir foi mudada para uma nova Noopur Tilak na forma do pé de lótus de Srimati Radharani couma marca redonda radiante dentro dela.
 
   O raspador de ferro tinha sido convertido em dourado. Acima disto ele estava na posse de uma maravilhosa, transcendente e maravilhosa Deidade de Krishna. Ele perguntou: "Ó Krishna Dasa! Onde você esteve todo esse tempo? Como sua tez mudou? Você deve contar tudo para mim sinceramente. Eu acho que você foi definitivamente abençoado por Krishna ou Srimati Radharani.” Como uma alma altamente realizada, Srila Jiva Gosvami observou que algo misterioso tinha ocorrido.



 
   Krishna Dasa levou Jiva Gosvami em um lugar solitário e narrou toda a história palavra por palavra com uma voz trêmula, com a clara advertência de Lalita sakhi desejando que ele não revelasse nada a ninguém, exceto Jiva Gosvami. Ouvindo sobre o favor transcendental concedido a Krishna Dasa por Srimati Radharani, ele ficou louco com o amor de Krishna, sentiu-se encantado e começou a dançar. Ele começou a derramar lágrimas de profundo amor e abraçando Krishna Dasa  disse: "Você é o único abençoado neste mundo.  Srimati Radharani não tem até agora  dado Suas bênçãos a ninguém, exceto você. Apenas tocando você, também estou me sentindo abençoada por Ela. Com seu ilimitado e imutável amor divino, sinto-me rendido a você. Entre os Vaishnavas você será conhecido como Shyamananda, àquele que deu prazer a Srimati Radharani e sua tilak ganhará fama como Shyamanandee tilak. A Deidade única e transcendental, doada por Srimati Radharani, será famosa como Shyamsundar e Ele continuará a dar darshan e a libertar as almas condicionadas. O Kanak Manjari! Mais uma vez eu digo que você é a única abençoada neste mundo inteiro. "


















Quando realmente iremos colocar a poeira do Radha-kunda em nossas cabeças?


  
Srila Prabhupada (Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakur) costumava nos contar uma história engraçada sobre um viciado em ópio. O sol estava se pondo e o viciado sentiu a necessidade de satisfazer seu vício, mas ele estava em uma margem do rio, e a vila onde havia fogo pra que ele acendesse seu cigarro de ópio estava na outra margem. Nossa situação é parecida com essa. Nós queremos estar com Krishna, o Senhor de Goloka, mas nós estamos separados pelo rio selvagem das nossas desqualificações.  Nós podemos mergulhar no Radha-kunda quantas vezes quisermos, beber a água, nos submergir nele, mas isso não significa que tenhamos realmente nos banhado no Radha-kunda. O que devemos realmente fazer é mergulhar nas águas dos sentimentos espontâneos de devoção de Radharani, e para fazer isso devemos primeiramente desenvolver entusiasmo por cantar o Nome de Krishna. Sem tal entusiasmo, nada pode ser alcançado. Esse é o ensinamento de Sri Caitanya Mahaprabhu.

Palavras de Srila Bhakti Pramode Puri Gosvami Maharaja

Com entendermos as diferenças de opiniões de vaisnavas?


  Se testemunharmos uma discussão ou diferença de opinião entre Vaisnavas elevados, nós devemos ser cuidadosos e não tomar partido de um e blasfemar o outro. Ao contrário, devemos pensar nisso como um veiculo para difundir e realçar o amor de ambos por Krishna, assim como as brigas verbais entre a Rainha Satyabhama e a Rainha Rukmini.

   As diferenças de opinião entre Vaisnavas são inspirados por Sri Caitanya com o objetivo de nos instruir. Se alguém for tolo o bastante para tomar partido em tal debate, ele se torna um aparadhi (ofensor) por contradizer e criticar o outro Vaisnava, e os resultados são extremamente prejudiciais a ele. É como se alguém estivesse servindo Krishna com uma mão e com a outra mão estivesse dando tapas nEle. Assim que entendermos que os Vaisnavas são os diferentes membros do corpo transcendental de Krishna, iremos compreender que o Senhor e Seus devotos são inseparáveis.

   O ponto a ser considerado aqui é que as vezes os 'desentendimentos' entre Vaisnavas dão prazer a Krishna, porque eles estão lutando por Ele. Mas se um devoto está contaminado por namaparadha e é levado a ofender um Vaisnava humilde, então, nenhuma simpatia da parte de Krishna pode alcançá-lo.

Fonte: livro 'O coração de Krishna' - Srila Bhakti Pramode Puri Gosvami Maharaja

A pergunta mais importante da vida.


  Como seres humanos, todos nós sabemos que temos um corpo humano. Não há dúvida de que nascemos humanos. Mas como tal fortuna veio até nós? De alguma forma, nós viemos para o ventre de nossa mãe, e do ventre de nossa mãe para onde estamos agora. Mas nós não sabemos de fato como chegamos ao ventre de nossa mãe e onde estávamos antes. A maioria das pessoas no mundo não está usando o seu tempo para tentar entender isso e descobrir como pode fazer o melhor uso da sua vida. Os sādhus e as escrituras vêm para dar às pessoas a consciência adequada sobre isso.

  No Śrīmad Bhāgavatam é descrito que quando Mahārāj Parīkṣit foi amaldiçoado a morrer dentro de sete dias, ele perguntou a todos os grandes ṛṣis e munis sobre seu tempo: “Como eu posso fazer o melhor uso possível deste curto espaço de tempo?”


 Quando Śukadev Goswāmī ouviu a pergunta de Parīkṣit Mahārāj disse: “Ó! Você tem tanta sorte! Você fez a pergunta suprema. Esta é a única questão que há de verdade”. “Outras pessoas fazem tantas perguntas: ´Como vamos cozinhar isso? Como vamos limpar isso? Como vamos realizar sacrifício de fogo? Como podemos oferecer a adoração? ´. Quando as pessoas não sabem a natureza da pergunta perfeita, então elas fazem tantas perguntas que são desnecessárias”. A única verdadeira questão é: “Como podemos ser extremamente beneficiados durante a nossa curta vida?”.

  Ao contrário de Mahārāj Parīkṣit, nós não temos certeza sobre o tempo que nossa vida vai durar. Mas se recebermos alguma consciência adequada e percebermos que podemos morrer a qualquer momento, então vamos imediatamente tentar descobrir o que é extremamente benéfico para as nossas vidas e tentar prosseguir nesse caminho. Sem a consciência adequada vamos considerar que temos muitos deveres mundanos e que todos são “muito importantes”.



Comentário de Srila Bhakti Sundar Govinda Dev-Goswami Maharaj